Descubra a importância da Carta Verde, o documento essencial para viajar de carro entre países. Saiba como obtê-lo, as recentes alterações legais e os países aderentes.
A carta verde: o passaporte automóvel internacional
A Carta Verde, também conhecida como Certificado Internacional de Seguro Automóvel (CIS), é um documento vital para os condutores que planeiam viajar com os seus veículos para fora das fronteiras nacionais. Criada sob os auspícios da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa em 1949, a Carta Verde promove a livre circulação de veículos e a proteção de vítimas de acidentes rodoviários em países estrangeiros. O sistema abrange mais de 50 países, incluindo membros da União Europeia e regiões de África e Médio Oriente, como Marrocos, Tunísia, Turquia e Ucrânia.
A função principal da Carta Verde é assegurar que os condutores estão devidamente cobertos pelo seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, garantindo o mínimo de responsabilidade civil exigido nos países visitados.
Objetivos e benefícios do sistema de carta verde
1. Facilitação da mobilidade internacional
A livre circulação de veículos é uma das principais vantagens oferecidas pelo sistema. Antes da introdução da Carta Verde, os condutores tinham de contratar um novo seguro automóvel a cada fronteira cruzada, resultando em burocracia e custos elevados. Com este sistema, os viajantes podem circular livremente, portando um único documento válido em todos os países aderentes.
2. Proteção das vítimas de acidentes
O sistema assegura que, em caso de sinistro, as vítimas são indemnizadas conforme as normas legais do país onde ocorreu o acidente. Esta proteção é fundamental para evitar situações em que as vítimas ficariam desamparadas devido a complicações jurídicas internacionais.
3. Simplificação legal e operacional
A Carta Verde simplifica os processos legais, garantindo que as seguradoras e os gabinetes nacionais (como o Gabinete Português de Carta Verde) trabalhem em conjunto para resolver questões transfronteiriças de forma eficiente.
Funcionamento do sistema de carta verde
O Sistema de Carta Verde é gerido por gabinetes nacionais presentes em cada país membro, representando mais de 1.500 seguradoras globalmente. Em Portugal, o Gabinete Português de Carta Verde (GPCV) supervisiona a implementação local, assegurando a proteção de vítimas em território nacional e coordenando a emissão de indemnizações para sinistros causados por veículos estrangeiros.
Este sistema inclui países não pertencentes à União Europeia, como Bielorrússia, Bósnia-Herzegovina, Moldávia e outros. Na prática, um condutor que detenha a Carta Verde pode transitar entre estas regiões sem preocupações adicionais com seguros.
Alterações recentes e modernização
1. Mudança no formato do documento
Desde julho de 2020, a tradicional Carta Verde deixou de ser verde e passou a ser emitida em papel branco, podendo ser impressa em qualquer impressora doméstica. Esta mudança foi implementada para reduzir custos, combater a falsificação de documentos e promover a transição digital.
2. Eliminação do dístico obrigatório
A Lei n.º 32/2023, de 10 de julho, trouxe outra simplificação relevante para os condutores portugueses: a afixação do dístico do seguro automóvel deixou de ser obrigatória. Agora, as autoridades podem verificar a validade dos seguros através de meios eletrônicos, dispensando a necessidade de apresentar o certificado em formato físico.
3. Disponibilização digital
A Carta Verde pode ser obtida de forma rápida e prática através das plataformas online das seguradoras, promovendo maior comodidade e redução de burocracia. Essa digitalização é especialmente importante em tempos de crescente mobilidade internacional.
Importância da carta verde nos dias de hoje
A Carta Verde não é apenas um documento obrigatório; é um instrumento de segurança e tranquilidade para os condutores e as vítimas de acidentes. Com ela, é possível assegurar que todas as partes envolvidas num sinistro são protegidas financeiramente, minimizando o impacto de acidentes rodoviários em países estrangeiros.
Além disso, o sistema desempenha um papel crucial na cooperação internacional, incentivando a harmonização das legislações de seguros automóveis e promovendo a mobilidade sustentável entre países.
Como obter a carta verde?
A emissão da Carta Verde é automática ao contratar um seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel em qualquer seguradora autorizada. Muitas empresas já oferecem o documento em formato digital, acessível por meio de aplicações ou websites, permitindo que os condutores o imprimam conforme necessário.
Ao planear viajar para países não cobertos pela União Europeia, como Marrocos, Turquia e Ucrânia, é crucial verificar se a Carta Verde cobre estas regiões ou se há necessidade de adquirir um seguro adicional.
Países aderentes ao sistema de carta verde
Entre os países que participam no sistema destacam-se:
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União Europeia: Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal.
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Europa não comunitária: Bielorrússia, Moldávia, Bósnia-Herzegovina.
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Norte de África e Médio Oriente: Marrocos, Tunísia, Turquia e Irão.
A amplitude geográfica do sistema demonstra o seu impacto global na simplificação da circulação transfronteiriça.
A Carta Verde permanece um elemento essencial para os condutores que atravessam fronteiras internacionais, simbolizando o equilíbrio entre simplicidade, proteção e inovação. Desde as suas origens, em meados do século XX, até às recentes atualizações legislativas e tecnológicas, o sistema reflete o compromisso global com a mobilidade segura e responsável.
É essencial que os condutores estejam atentos às novas legislações, como a Lei n.º 32/2023, e que mantenham o certificado atualizado. Para uma experiência tranquila ao viajar, a consulta prévia à seguradora é sempre recomendada.