Descubra tudo sobre a leishmaniose canina, uma doença grave e mortal para cães. Saiba como identificar os sintomas, prevenir infecções e tratar o seu cão com eficácia
A leishmaniose canina é uma doença grave e potencialmente fatal que afeta cães em diversas regiões do mundo, incluindo Portugal. Causada pelo protozoário Leishmania infantum, esta condição é transmitida pela picada de flebótomos infectados, pequenos insetos que atuam como vetores do parasita. Apesar de ser uma ameaça conhecida, ainda há muitos desafios na sua prevenção e controle. Neste artigo, exploramos a fundo os aspetos mais relevantes da leishmaniose canina, desde os sintomas até às estratégias de proteção e tratamento.
O que é a leishmaniose canina?
A leishmaniose canina é uma doença parasitária crônica que pode afetar diversos órgãos e sistemas no organismo do cão. Embora seja mais comum em regiões com clima quente, como a bacia do Mediterrâneo, tem vindo a expandir-se devido a fatores climáticos e à mobilidade dos animais. Além de ser uma doença perigosa para os cães, também pode afetar humanos, tornando-se uma zoonose preocupante.
O parasita responsável, o Leishmania infantum, instala-se principalmente em células do sistema imunitário do hospedeiro. Isso leva a uma reação inflamatória sistémica que, sem tratamento, pode resultar em insuficiência renal e outros problemas fatais.
Como ocorre a transmissão?
O ciclo de transmissão da leishmaniose começa com a picada de um flebótomo infectado. Este inseto, também conhecido como mosquito-palha, transmite o protozoário para o cão enquanto se alimenta de sangue. Uma vez no organismo, o parasita multiplica-se e compromete o sistema imunitário, tornando o animal suscetível a infecções secundárias.
Além disso, cães com leishmaniose também podem atuar como reservatórios, facilitando a disseminação do parasita para outros animais e, em casos raros, para humanos.
Sintomas da leishmaniose canina
Os sinais clínicos da leishmaniose canina podem variar amplamente, dependendo da gravidade da infeção e dos sistemas afetados. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:
Sintomas Dermatológicos
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Perda de pêlo, especialmente ao redor dos olhos (conhecida como alopecia periocular).
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Dermatite com descamação ou formação de feridas que não cicatrizam.
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Crescimento anormal das unhas (onicogrifose).
Sintomas Sistémicos
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Perda de peso progressiva, mesmo com apetite normal.
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Atrofia muscular, levando à aparência debilitada.
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Aumento dos gânglios linfáticos (linfadenomegalia).
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Epistaxe (sangramento nasal).
Complicações Renais
A insuficiência renal é uma das principais causas de morte em cães com leishmaniose. Os sintomas incluem aumento da sede, micção frequente e, em casos avançados, sinais de uremia, como vômitos e letargia.
Diagnóstico: como identificar a doença?
O diagnóstico precoce é crucial para melhorar o prognóstico do animal. Para confirmar a presença do parasita, o médico veterinário pode recorrer a uma combinação de métodos clínicos e laboratoriais, tais como:
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Testes Imunológicos: Detectam anticorpos específicos contra o Leishmania infantum. A imunofluorescência indireta (IFI) e o teste ELISA são amplamente utilizados.
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Exames Moleculares (PCR): Identificam o material genético do parasita em amostras de sangue, medula óssea ou tecidos.
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Exames Parasitológicos: Observação direta do parasita em amostras biológicas, embora menos sensível em estágios iniciais.
O diagnóstico deve ser sempre complementado com a avaliação clínica e o histórico do animal.
Tratamento da leishmaniose canina
Embora ainda não exista uma cura parasitológica completa, é possível controlar a doença e proporcionar qualidade de vida ao cão infectado. O tratamento é geralmente composto por:
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Medicamentos Leishmanicidas: Substâncias como o antimoniato de meglumina ajudam a reduzir a carga parasitária no organismo.
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Leishmaniostáticos: Medicamentos como o alopurinol impedem a replicação do parasita e reduzem os sintomas.
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Acompanhamento Contínuo: Exames regulares para monitorizar a resposta ao tratamento e ajustar a terapia.
O sucesso do tratamento depende da adesão às orientações do veterinário e da resposta individual do animal.
Prevenção da leishmaniose canina
A prevenção é a melhor estratégia contra esta doença, especialmente em áreas endémicas. Algumas medidas eficazes incluem:
Uso de Repelentes
Produtos tópicos, coleiras impregnadas com inseticidas e sprays repelentes ajudam a reduzir o contacto do cão com os flebótomos.
Vacinação
Vacinas como a LetiFend® têm mostrado bons resultados na redução da probabilidade de infeção. A imunização deve ser feita anualmente, complementada com outras medidas preventivas.
Controle Ambiental
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Manter os cães em ambientes protegidos, especialmente ao amanhecer e entardecer, quando os flebótomos são mais ativos.
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Uso de redes mosquiteiras em locais de descanso dos cães.
Cuidados Rotineiros
Consultas regulares ao médico veterinário são indispensáveis para avaliar o estado de saúde do animal e realizar exames preventivos.
Por que a leishmaniose é uma doença mortal?
A leishmaniose canina é considerada uma doença mortal porque, sem tratamento adequado, pode levar à falência de órgãos vitais, como os rins, além de enfraquecer severamente o sistema imunitário. A incapacidade do organismo do cão de combater infeções secundárias é um fator agravante, especialmente em casos avançados.
Além disso, o diagnóstico tardio é comum, o que limita as opções de tratamento e piora o prognóstico.
A leishmaniose canina é uma doença complexa que requer atenção e compromisso tanto dos tutores quanto dos profissionais de saúde animal. A adoção de medidas preventivas, como a vacinação e o uso de repelentes, combinada com consultas regulares ao médico veterinário, é a melhor forma de proteger os cães contra esta ameaça.
Investir na saúde do seu amigo de quatro patas é uma responsabilidade que reflete o amor e cuidado que ele merece. Não hesite em procurar orientação profissional para garantir uma vida longa e saudável ao seu animal de estimação.